Alfabetização infantil: como recuperar o tempo perdido

Plano de aula segundo a BNCC

A situação se repetiu nas casas de diversos brasileiros no último ano: a criança chegou à fase de alfabetização e estava muito animada para ir à escola. Os pais compraram uniforme, material escolar, a criança começou a ir às aulas, até que veio a pandemia. Não deu nem tempo de se preparar. O processo de alfabetização infantil estava só começando, mas teve que ser interrompido.

O que veio depois, depende da escola e da idade das crianças. Algumas instituições de educação infantil paralisaram completamente as atividades. Muitas delas, inclusive, nem conseguiram resistir ao isolamento, fechando definitivamente suas portas.

A Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep) não tem um dado consolidado sobre o número de escolas fechadas, mas no ano passado, o presidente da instituição, Ademar Batista Pereira, chegou a fazer uma previsão dramática de que 80% das escolas de 0 a 3 anos fechariam no Brasil.

Em outras instituições, a gestão escolar decidiu continuar com as aulas online e os professores tiveram que se desdobrar para encontrar formas seguras e eficientes de continuar ensinando crianças pequenas.

Seja como for, não dá para negar que o prejuízo no processo de alfabetização foi grande. Por ser um aprendizado que depende muito da proximidade do professor, o processo ficou dificultado e certamente atrapalhou o desenvolvimento das crianças.

Agora, os estados e municípios começam a falar sobre a volta às aulas presenciais. E como será esse retorno depois de um ano distante?

O processo da alfabetização infantil começará do zero novamente? E como utilizar bem esse momento para recuperar o tempo perdido durante o isolamento social? É sobre isso que vamos falar neste artigo. Acompanhe!

Quanto a pandemia atrapalhou?

A pandemia do Coronavírus não deixou apenas o prejuízo econômico para as escolas infantis. Ela também trouxe consequências para o aprendizado dos alunos e atrasou o processo de desenvolvimento das crianças que estavam iniciando o processo de conhecimento e primeiros contatos com a leitura e a escrita.

A alfabetização já era um desafio no Brasil antes mesmo da pandemia. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Educação, divulgada em julho de 2020, o Brasil tem 11 milhões de analfabetos. Com o isolamento social e o fechamento das escolas essa situação se agravou.

Uma pesquisa do Georgia Institute of Tech­nolo­gy, nos Estados Unidos, mostrou que o aprendizado dos alunos nesse período de isolamento será, em média, menos da metade do esperado em um cenário normal.

E por que, no caso da alfabetização infantil, esse processo foi ainda mais prejudicial? Porque o contato próximo com o professor nessa fase é essencial, segundo a especialista no tema, Magda Soares, que é professora titular emérita da Faculdade de Educação da UFMG e autora do livro “Alfaletrar – Toda criança pode aprender a ler e a escrever”.

Em uma entrevista ao site Futura, ela afirmou que a “interação alfabetizadora-criança é indispensável, pois a aprendizagem do sistema de escrita alfabética depende da compreensão bem orientada das relações oralidade-escrita”.

Alfabetização infantil: fase determinante

Muitos pais de crianças em fase de alfabetização estão preocupados com o desenvolvimento dos filhos nesse período de isolamento social. E com razão: aprender a dominar a leitura e escrita não é importante só para ler e escrever, mas também para a evolução cognitiva, crescimento saudável e socialização da criança.

Formação Contínua

Já está provado pela neurociência que o processo de alfabetização infantil gera uma explosão de sinapses no cérebro da criança, o que é muito importante para o seu desenvolvimento.

É válido lembrar que o processo de alfabetização não se dá apenas quando se apresenta o alfabeto aos alunos.

Como se trata de um aprendizado extremamente ligado à vida social da criança, ele pode começar muito antes com outras práticas, como a leitura e contação de histórias, o contato com livros, jornais, revistas, receitas de bolo e até bilhetes.

É muito importante que a criança vivencie tudo isso antes mesmo de saber identificar as letras.

Volta às aulas: dicas para recuperar tempo perdido

Os dias que passamos isolados já passaram e esse tempo, infelizmente, não volta. Mas isso não quer dizer que não podemos recuperar o que foi perdido. Quando falamos de crianças, então, que têm maior plasticidade cerebral (capacidade do cérebro de fazer novas sinapses e aprender), essa é uma realidade ainda mais possível.

Na volta às aulas, a gestão escolar e os professores podem ficar atentos a uma série de oportunidades para tornar o processo de alfabetização infantil mais proveitoso. Nós reunimos algumas dicas nesse sentido. Confira:

Acompanhe de perto

Quando os alunos chegarem à sala de aula é importante que o professor entenda em que estágio estão. Em um ano de distanciamento podem ter acontecido muitas coisas e o desenvolvimento de cada criança vai depender muito de como ela foi amparada em casa nesse tempo. Pode ser necessário uma subdivisão dos alunos, de acordo com seu estágio. Assim, cada um será acompanhado de perto e dentro de suas necessidades.

Oriente a família

Como dissemos, a alfabetização é um processo totalmente vinculado à vivência social da criança. Por isso é importante que a escola oriente a família para que o processo de aprendizado também seja estimulado em casa.

Ensine os pais a compartilharem com os filhos materiais de leitura, como livros e jornais. Além disso, os incentive em práticas com a criança como acompanhar uma receita culinária, fazer uma lista de compras, escrever um bilhete ou ler as placas e letreiros na rua. A participação da família é essencial nesse processo da alfabetização e letramento.

Use o YouTube, com moderação!

O Youtube é uma ferramenta incrível para tornar o aprendizado mais atrativo e divertido. Lá, os professores encontram diversas listas com brincadeiras, jogos e atividades que ajudam na alfabetização infantil. Veja alguns exemplos:

Mas, não se esqueça: apesar de ser muito útil, o YouTube também pode oferecer risco às crianças, caso seja utilizado por elas sem supervisão. Para tentar ajudar as famílias na busca segura de vídeos, a plataforma criou o YouTube Kids. Mas até mesmo essa versão – que tem filtros para proteger as crianças de conteúdo inapropriado – tem falhas no seu processo de seleção. O ideal é o uso monitorado!

Aplicativos e games

Outra ferramenta que tem se mostrado valiosa no processo de alfabetização é o aplicativo. E há diversos deles! Veja alguns exemplos:

  • Graphogame
    Foi desenvolvido pelo Ministério da Educação e auxilia as crianças na leitura das primeiras letras, sílabas e palavras.
  • Eduedu
    O aplicativo propõe um teste para identificar o estágio de aprendizado da criança e, a partir do resultado, oferece atividades de alfabetização personalizadas.
  • ABC do Bita
    Oferece um abecedário interativo e brincadeiras que estimulam o raciocínio lógico e ensinam com diversão.
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Curriculo segundo os campos de experiência da BNCC

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