Saiba como lidar com o autismo na educação infantil

Saber lidar com o autismo na educação infantil é um dos grandes desafios dos professores e diretores pedagógicos. Isso porque o processo de ensino-aprendizagem deve ser modificado a fim de abarcar as diferenças que essas crianças trazem para a escola.

Pensando nisso, desenvolvemos este artigo para você compreender com clareza como trabalhar com crianças autistas. Confira!

 

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O que é o autismo?

O autismo é um transtorno psicológico que engloba questões sociais, emocionais, afetivas, cognitivas e motoras. Embora a compreensão da doença pode ser feita por meio de diversas abordagens psicológicas, para atuar de maneira correta na educação, isto é, sem gerar preconceitos e produzir estigmas, é preciso olhar para o aluno autista e o seu processo único de aprendizagem.

Nesse sentido, as relações que ele estabelece consigo, com os outros e com o mundo ocorrem de forma diferente do padrão de normalidade, gerando dificuldades para quem trabalha na educação.

Ao trabalhar com crianças com o Transtorno do Espectro Autista (TEA), é necessário compreender algumas limitações que elas apresentam, como:

  • dificuldades de interação social e de comunicação;
  • hipersensibilidade auditiva, visual ou tátil;
  • capacidade de voltar a atenção somente para um determinado assunto;
  • estereotipias em casos mais graves.

No entanto, tenha em mente que essas características são generalizadas e que nem todos os autistas terão esses comportamentos e atitudes. O processo de desenvolvimento da doença depende da interação que a criança teve ao longo da sua história de vida, da sua criação e do seu acompanhamento psicológico.

Como trabalhar com o autismo na educação infantil?

Atualmente, não existe uma diretriz clara de como trabalhar com crianças autistas na educação, afinal, cada sujeito expressa o transtorno de forma diferente e deve ser olhado na sua subjetividade e na relação com os outros.

Justamente por isso, duas crianças com o mesmo diagnóstico podem responder de maneiras distintas para a mesma atividade pedagógica, trazendo mais desafios para os professores e coordenadores.

Para que o processo de inclusão e aprendizagem ocorra de maneira efetiva na sua escola, separamos algumas dicas que poderão nortear o seu trabalho com crianças autistas.

Conheça as necessidades do aluno

Como já foi apresentado, cada criança é diferente, independentemente se carrega consigo um diagnóstico ou não. Por isso, identificar as necessidades de cada aluno é fundamental para estabelecer um processo de ensino-aprendizagem de qualidade, estimulando o desenvolvimento de competências e habilidades favoráveis e auxiliando no seu processo de adaptação.

Para tornar isso possível, a dica fundamental é deixar o aluno falar. Muitas vezes, as escolas procuram informações científicas para sustentar suas atividades. Embora seja uma prática importante, não se pode deixar de lado o conhecimento do aluno sobre o seu processo de aprendizagem.

Assim, procure estabelecer um contato ativo e aberto com o aluno, possibilitando um espaço de fala para que ele se sinta confortável em expor — seja por meio da fala, de desenhos ou de representações — a melhor forma que ele adquire conhecimento, para que, então, a escola possa desenvolver estratégias inclusivas que englobem as necessidades daquele aluno.

Converse com os pais

A tríade escola-família-aluno está em constante movimento e serve como base para sustentar as práticas pedagógicas, sobretudo as inclusivas. Desenvolver um diálogo fortalecido com os pais auxiliará a escola a compreender a aprendizagem daquele aluno.

Isso porque a família convive diariamente com a criança e esteve presente durante o desenvolvimento da doença e do diagnóstico, reconhecendo suas facilidades e dificuldades.

Ao conversar com os pais, você reconhece as possíveis formas de enfrentamento e garante uma ação mais direcionada, que estimula o aluno a manter-se focado em sala e a aprender o conteúdo teórico com mais facilidade.

Adapte o espaço de aula e as práticas pedagógicas

Outro ponto importante é adaptar o espaço de aula. De maneira geral, as crianças autistas desenvolvem uma hipersensibilidade, aprimorando os sentidos auditivos, táteis, olfativos ou visuais.

Nesse sentido, uma sala de aula onde predomina somente uma cor ou cores múltiplas, pode causar incômodo para o aluno, facilitando sua dispersão. Por isso, estabelecer uma conversa com os pais é fundamental para reconhecer, de início, os aspectos importantes das suas dificuldades e o que pode interferir na sua aprendizagem.

Para adaptar a sala de forma efetiva e eficaz, isto é, que facilite o processo de aprendizado do aluno com autismo, é importante conhecer as suas dificuldades e facilidades, investido nos aspectos que chamam a sua atenção.

Por exemplo, se a criança tem uma grande facilidade para realizar operações matemáticas e se sente muito atraída por imagens e figuras, uma excelente forma para auxiliá-la no processo de aprendizagem é investir em exercícios curtos e lúdicos que tragam figuras chamativas, como os jogos de tabuleiro adaptados.

Com isso, ela concentra o seu foco em um exercício rápido, sem perder a atenção e se sente motivada a continuar estudando.

Estabeleça uma relação de confiança entre professor e aluno

No início deste artigo comentamos sobre a importância da compreensão do TEA e seus desafios no campo pedagógico. Nesse sentido, a escola deve proporcionar reuniões periódicas com todo o corpo docente, estimulando a discussão e leitura sobre o autismo, para aprimorar as práticas de ensino.

Isso potencializará a atuação dos professores, possibilitando o estabelecimento de uma relação de confiança entre o aluno e o professor e, então, fortalecendo a aprendizagem da criança.

Crie projetos de inclusão

Para lidar com o autismo na educação infantil, a escola precisa criar projetos de inclusão que promovam o acolhimento dos alunos autistas, possibilitando espaços em que o respeito seja priorizado e que as mesmas oportunidades de aprendizagem sejam oferecidas.

Isso só é possível se toda a equipe pedagógica — diretores, coordenadores, professores e funcionários — participar de forma ativa no desenvolvimento das diretrizes de trabalho de inclusão.

Além disso, para que a sua escola tenha uma educação inclusiva, é preciso considerar cada aluno na sua subjetividade, criando um plano de desenvolvimento individual (PDI) que favoreça a sua aprendizagem.

Por fim, uma das melhores formas de introduzir os projetos de inclusão é atuar no coletivo. Em outras palavras, é importante criar oportunidades para que as crianças e o corpo docente entendam o que é o autismo, estimulando todo o corpo escolar a entender as diferenças e diversidades que existem no mundo, aprendendo a lidar de forma inclusiva e empática com os seres humanos.

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Estimule a socialização

A socialização é uma ferramenta essencial para uma boa aprendizagem dos alunos. Estabelecer vínculos amigáveis e confiáveis, diferentes afetos e ter uma base sólida de relações é um dos pilares que sustentam a educação enquanto formação humana.

Estimular a socialização é um processo imprescindível para qualquer aluno, inclusive para aqueles que tem algum diagnóstico de autismo. Procure escutar o que o aluno e a família têm a dizer sobre a forma que ele estabelece suas relações sociais, auxiliando-o a incrementar sua rede de apoio e a fortalecer o seu processo educativo.

Lembre-se de respeitar ao máximo os limites da criança, evitando a imposição de tarefas que não poderão ser realizadas e que podem atuar como gatilhos para o desenvolvimento de uma crise.

Trabalhar com o autismo na educação infantil pode ser desafiador. No entanto, é preciso criar técnicas de enfrentamento que promovam um ensino saudável para o aluno, com respeito e inclusão. Lembre-se de escutar a criança, conversar com os pais e proporcionar momentos de socialização entre os alunos.

E então, gostou do nosso artigo? Tem alguma dúvida sobre o Transtorno do Espectro Autista na educação? Deixe um comentário abaixo! Ficaremos felizes em ajudar.

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