Crianças em casa: como trabalhar os campos de experiência da BNCC

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Ninguém poderia imaginar, mas já são meses sem o ensino presencial convencional  e isolamento social por causa do Coronavírus. Em casa, os pais vivem o acúmulo de tarefas e tentam reinventar a educação dos filhos. De repente, eles tiveram que aderir ao ensino virtual para poder ajudar aos filhos a continuarem estudando. 

O EAD, uma sigla que antes eles apenas ouviram falar, hoje precisam adentrar-se a essa modalidade para que as crianças não sofram as consequências da interrupção do processo de aprendizagem. O ensino à distância que, no caso das crianças, vira educação infantil à distância é uma novidade sem tamanho e desafiadora. 

Professores também se viram desafiados, pois devem planejar aulas online, muitas vezes sem terem formação em competências digitais, atender à expectativa das escolas, de manter o cronograma. e das famílias, de preservar o ano letivo. 

E como estão as crianças no meio disso tudo? Sabe-se que o eixo estruturante da educação infantil, segundo a Base Nacional Comum Curricular – BNCC, são as interações e brincadeiras. E como proporcionar isso às crianças através de tablets, smartfones e/ou computador? 

Elas sentem falta dos professores, da interação com os amigos e, pela primeira vez, experimentam a escola através da tela de aparelhos digitais.

É nesse cenário que a escola enfrenta o desafio de reinventar a forma habitual  de estudar, sem deixar de cumprir as exigências básicas do currículo escolar. Na educação infantil, o trabalho com os campos de experiência precisa continuar, como previsto na Base Nacional Comum Curricular (BNCC)

Mas, como fazer isso à distância? É possível envolver os pais nessa tarefa? E será possível proporcionar as vivências descritas nos campos de experiência de maneira envolvente e eficiente utilizando do eixo estruturante da educação infantil? Confira neste artigo sugestões de como os professores podem envolver pais e crianças nessa trilha do conhecimento durante a pandemia!

BNCC e os campos de experiência

Antes de mais nada é importante explicar que as aprendizagens essenciais e que são direito de todas as crianças estão garantidas na BNCC. O documento dá o norte aos projetos pedagógicos de todas as escolas no Brasil. Seu objetivo é direcionar a educação no país para a formação humana integral e para a construção de uma sociedade inclusiva, democrática e justa. 

A BNCC defende a aprendizagem na educação infantil por meio de interações e brincadeiras. Entende-se que o brincar permite a expressão dos afetos, a medicação das frustrações, a resolução dos conflitos. Dá condições para que as crianças construam significados sobre si mesmas e sobre o mundo, convivendo com a diversidade de ideias e de culturas e sentindo-se desafiadas a resolver problemas cotidianos. 

O documento organiza a educação infantil em cinco campos de experiência. Em outras palavras, esses campos são áreas de conhecimento, que devem ser trabalhadas com as crianças para enfatizar valores, habilidades, noções e afetos. 

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São eles:

Envolvendo os pais

Mas, como os pais podem se envolver com a educação infantil à distância e potencializar os campos de experiência? A melhor resposta para isso é: sendo brincantes e receptivos! 

Em outras palavras: os pais devem se conectar de verdade  para promover com os filhos atividades que proporcionem as vivências relacionadas aos campos de experiências. Imagine potencializar o desenvolvimento das crianças, no ensino em casa, transformando uma pesquisa científica em uma divertida visita a sites de museus? Ou, quem sabe, experimentar sabores em um momento de piquenique e de gastronomia em casa? 

Brincar proporciona afeto e leveza, instiga a curiosidade e ajuda a enfrentar os medos. Vamos juntos? Preparamos algumas sugestões para os professores sugerirem aos pais nas atividades escolares à distância. Confira: 

Etiquetando espaços

A proposta aqui é estimular os filhos a etiquetarem brinquedos para que todos saibam onde se guarda o quê. A ideia é que as crianças possam ter noção espacial, conhecer as letras e treinarem a capacidade de organização. Os pais podem propor, ainda, a troca de lugar das coisas e trabalhar a leitura e reconhecimento das letras.

Montando acampamento

Quem nunca gostou de brincar de cabaninha quando criança? É a típica brincadeira que promove interação, aventura e rende muita história pra contar! Basta uma mochila com os pertences, lençois ou panos velhos, fita adesiva ou suportes para os panos e muita imaginação! Os familiares podem aproveitar esse momento para falar sobre trabalhar em grupo, ajudar os filhos a superarem o medo de animais da floresta, usar a criatividade. 

Jardim de chás

Essa é uma proposta para brincar com terra e nem precisa de quintal! Nessa atividade a família reúne o prazer da jardinagem com os pequenos com a exploração dos aromas das ervas e chás. Com alguns potes, baldes de água, garfos e colheres de jardinagem, os pais podem incentivar a relação afetiva com a natureza, estimular a curiosidade olfativa e a atenção plena no momento da atividade, por exemplo. 

Sons do livro

Quem disse que a narrativa de um livro não pode ter trilha sonora? E isso pode ser construído com a criança a partir de objetos caseiros. Essa atividade propõe a leitura de uma história com o acompanhamento de efeitos sonoros feitos com objetos como uma sacola sendo embolada, uma colher batendo na xícara, um pegador de macarrão abrindo e fechando ou qualquer outro objeto que a família tiver em casa. A brincadeira vai estimular a relação da criança com a narrativa, com os sons e aguçar sua criatividade.  

Reconstruindo a rotina

Transformar a casa em um espaço de aprendizagem semelhante ao da escola não é tarefa fácil para os pais, principalmente quando eles foram pegos de surpresa em uma pandemia. Além de oferecer sugestões de atividades a serem desenvolvidas em casa, a escola pode auxiliar as famílias com dicas práticas para adaptação da rotina. Confira algumas:

  • Estabeleça horários fixos para o estudo, pausas e brincadeiras;
  • Organize um local arejado, amplo e lúdico para as atividades escolares da criança;
  • Tenha à mão giz de cera, tinta guache, post it, adesivos, cartolina, E.V.A, fitas adesivas, marca-texto, lápis de cor e tudo o mais que puder tornar o momento de estudo mais atraente e divertido; 
  • Monte o cronograma da rotina escolar junto com a criança e fixe o quadro na parede. Podem ser usadas figurinhas para ilustrar as palavras que ainda não forem do domínio da criança, especialmente as não alfabetizadas;
  • Em caso de impaciência dos pais ou dos filhos, recomenda-se um intervalo para beber água, mudar o foco e recobrar a atenção;
  • Permita falhas, erros e dúvidas. Lembre-se que é mais importante ensinar a criança a ser questionadora do que perfeita, até porque perfeição não existe.

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