Como lidar com crianças que mordem? 3 dicas para educadores

Quem convive com os pequeninos sabe que morder é um comportamento comum entre eles, especialmente entre um e três anos de idade. Na escola infantil, é importante se atentar a crianças que mordem e agir no sentido de reduzir e, preferencialmente, até eliminar essas mordidas.

O primeiro passo para isso é entender o que causa esse comportamento nas crianças que mordem. Em geral, elas o fazem para lidar com um desafio ou satisfazer uma necessidade. Assim, elas mordem para expressar um sentimento, comunicar a falta de espaço ou satisfazer a necessidade de estimulação oral.

No momento da ocorrência, é importante evitar reações extremas, como rotulá-las de terríveis — até para que os colegas não se refiram a ela dessa forma. Isso pode intensificar o comportamento, levando-as a assumir a identidade que lhes é atribuída.

Quer saber como lidar com crianças que mordem? Veja, a seguir, algumas dicas que podem ajudar. Boa leitura!

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1. Compreenda o contexto

É fundamental procurar compreender a causa das mordidas. Isso permite desenvolver uma estratégia que ajude a eliminar o comportamento com mais eficiência. Para isso, é importante analisar o contexto em que a situação ocorreu. Vale, então, se perguntar:

  • o que houve logo antes da mordida;
  • com o que a criança brincava;
  • se ela morde sempre a mesma criança;
  • onde (sala de aula, pátio ou outros) ocorrem as mordidas;
  • em que situações.

Com base nisso, é possível construir o cenário que desperta o comportamento na criança. E compreendê-lo é essencial para saber como lidar com ele — afinal, ajuda a estabelecer limites e ensinar os pequenos a adotarem comportamentos aceitos na sociedade: eles precisam aprender que seu comportamento tem efeitos sobre os outros.

Já na primeira mordida, a atitude dos adultos (pais, familiares e educadores) pode ser determinante. Se a criança perceber que, a partir dessa ação, consegue se destacar, vai fazê-lo de novo. Afinal, nesse período de descobertas, ela quer fazer tudo a seu modo e no seu ritmo. É fundamental, então, deixar claro que ela está proibida de morder.

2. Avalie os motivos

Nessa fase da vida, as crianças se frustram com facilidade e têm pouco controle sobre seus impulsos. Por isso, as mordidas se tornam uma forma de comunicação. Confira alguns dos motivos mais comuns:

  • habilidades linguísticas — como ainda não conseguem expressar necessidades e sentimentos, como raiva, frustração, alegria e outros, usam a mordida como linguagem;
  • incômodos — se os sons ou os níveis de luz estiverem inadequados para eles, pode ser que mordam para demonstrar isso;
  • experimentação — nessa idade, as crianças não conhecem bem os limites que devem respeitar. Então, podem morder simplesmente para ver o que vai acontecer;
  • fase oral — segundo Sigmund Freud, a mordida é um dos primeiros estágios do desenvolvimento infantil. Nessa etapa, a criança acredita que o mundo funciona e existe por sua causa. Se o que deseja não é prontamente atendido, ela morde;
  • outros — alguns fatores que podem levar os pequenos à prática da mordida incluem excesso de cansaço, início da dentição e similares.

3. Aja de acordo com a situação

O ideal é intervir antes que a mordida ocorra. Quem convive com crianças que mordem é capaz de antecipar essa situação. Uma estratégia eficiente, nesse caso, é reduzir as tensões e desviar a atenção. Vale, por exemplo, distrair a criança com um brinquedo, um livro ou convidá-la para um passeio e para outra atividade do interesse dela.

Outra opção é conversar com a criança e sugerir que lide com a situação de outra forma, preferencialmente falando o que quer — de forma a transformar a atitude corporal em linguagem. Se o comportamento estiver relacionado à dentição, uma alternativa é oferecer mordedores ou alimentos que ela possa morder.

Se a mordida efetivamente ocorrer, no entanto, é preciso tomar outras atitudes. Conheça algumas dicas a seguir:

Mantenha a calma

Mesmo que o sentimento inicial não seja esse, é preciso manter a calma. Afinal, há vários motivos para que a criança morda e uma avaliação imparcial vai ajudar a controlar a situação e agir para evitar que se repita no futuro.

Além disso, a calma é importante para que seja possível mostrar para a criança que é importante respeitar e tratar bem os colegas. Use um tom de voz firme para dizer “não” e explique que a mordida dói no outro e o deixa triste por ter sido mordido.

Acolha a vítima

A atenção deve ser voltada para o acolhimento da vítima. Além de acalmá-la, isso ajuda a demonstrar para quem mordeu que esse comportamento não vai ajudá-la a conseguir mais atenção.

Se a criança mordida apresentar hematoma na região, pode ser usada uma compressa fria no local. As feitas com chá de camomila, por exemplo, ajudam a diminuir a vermelhidão e ainda acalmam a pele.

Estimule a linguagem

É importante explicar para a criança que mordeu que há outras formas de se comunicar. O estímulo à linguagem é muito importante: ela deve compreender que, quando fala o que quer e o que sente, o resultado é muito mais eficiente do que quando se expressa por meio de mordidas.

Pode ser que demore um tempo até que a criança adote o comportamento correto — o que significa que pode voltar a morder os colegas. O adulto deve estar pronto para agir sempre que isso ocorrer, de forma a estimular o uso da linguagem com regularidade.

Avalie os sentimentos

Se perceber que a mordida está relacionada a sentimentos negativos, como raiva, é importante orientar a criança a expressá-lo de outras formas. Uma alternativa pode ser dar a ela um brinquedo que possa ser usado em momentos de estresse ou agitação. A ideia é que ela se sinta reconfortada.

Algumas crianças têm maior sensibilidade a som, luz e outros estímulos. Para evitar que esse incômodo leve a episódios de mordida, vale reduzir as luzes, diminuir o volume da televisão ou do rádio e orientar os adultos do convívio da criança sobre a suscetibilidade do excesso de estímulo sensorial.

Se esse comportamento for frequente, isso pode representar insatisfação, ansiedade, sentimento de rejeição e outros motivos. Nesse caso, é importante acompanhar a evolução mais de perto e, se for preciso, buscar a ajuda de um psicólogo.

Envolva os pais

Os pais de crianças que mordem devem ser informados sobre seu comportamento quando ocorre no ambiente escolar. Eles podem ajudar a entender a situação e, até mesmo, em conjunto com a escola infantil e os professores, traçar estratégias a fim de eliminar essa atitude do cotidiano dos pequenos.

Lidar com crianças que mordem é um grande desafio, já que esse comportamento é incômodo para todos os envolvidos. Por isso, é fundamental tratar a situação com objetividade, autocontrole e perseverança. Só assim é possível chegar a soluções satisfatórias.

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