É possível ensino híbrido na educação infantil?

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Está mais que provado que a pandemia do Coronavírus acelerou os processos de inovação e adoção de tecnologias em diversos segmentos. A educação é um deles: nunca se falou tanto em plataformas de aulas online, lives, ensino à distância e propostas curriculares que incluem a lógica do virtual como cultura.

Nesse contexto, o ensino híbrido vem ganhando importância. Primeiro porque esse modelo considera o ambiente online, o que é muito importante nesse momento em que a volta às aulas presenciais ainda é lenta.

E também porque ele traz o virtual dentro de um conceito mais amplo e contextualizado. Muito além de inserir a tecnologia como ferramenta, o ensino híbrido propõe novos papéis para professor e aluno, de maneira que o estudante ganha mais autonomia no seu aprendizado e desenvolve novas habilidades.

Mas, quando pensamos em educação infantil, a inserção do virtual é segura? Isso porque essa é uma fase muito particular no desenvolvimento humano. Estamos falando da primeira infância, quando a interação com o professor e demais colegas é essencial e o contato com as telas e tecnologias deve ser cauteloso.

Por outro lado, não há como ignorar a necessidade de incluir a cultura virtual e o “autoaprendizado” proposto pelas novas tecnologias na educação, desde os primeiros anos de vida da criança. Então, como equilibrar isso? O ensino híbrido na educação infantil é mesmo possível? É sobre isso que vamos falar neste artigo.

Você entendeu mesmo o que é ensino híbrido?

Pra começar é importante você se fazer essa pergunta: eu entendi mesmo o que é o ensino híbrido? Isso porque é muito comum as pessoas reduzirem esse conceito a uma simples mescla de aulas online e presenciais. Sim, o ensino híbrido tem essa característica de usar os dois ambientes, mas ele não se resume a isso.

As primeiras experiências desse tipo de ensino surgiram ainda na década de 60, nos Estados Unidos. Nessa época o ensino híbrido foi uma solução interessante para os cursos didáticos nas empresas, que precisavam alcançar mais pessoas com um mesmo instrutor e com menos horas dedicadas.

Mas, o conceito como conhecemos hoje na sala de aula, só começou a ser desenhado na década de 90 com a inserção do ambiente virtual.

O ensino híbrido traz a possibilidade de compartilhamento de conhecimento para além das quatro paredes de uma sala de aula. A ideia de que a escola é o lugar onde se transmite todo o saber cai por terra.

Nesse formato de ensino, os alunos são incentivados a contribuírem com seu próprio aprendizado, utilizando para isso as ferramentas tecnológicas e o ambiente online. É claro que ele aprenderá com o professor na escola, mas também antes de chegar lá e depois que sair desse espaço.

O professor, por sua vez, não é o único responsável pela construção de conhecimento dos alunos. Ele assume uma postura de mediador do conhecimento e grande incentivador do aprendizado.

Ele deverá propor atividades, sejam presenciais ou virtuais, que estejam alinhadas à realidade do aluno e o ajude a desenvolver novas habilidades. Nesse sentido, o ensino híbrido também propõe um aprendizado personalizado, que leva em consideração as necessidades de cada aluno.

O ensino híbrido na educação infantil

Agora que você já entendeu que o conceito de ensino híbrido vai muito além de misturar aulas online e presenciais, talvez fique mais fácil pensar em como ele pode ser aplicado na educação infantil.

Não há necessidade – nem é recomendado – expor as crianças a muitas horas de tela. É possível propor um ensino híbrido sem colocar em risco a saúde e o desenvolvimento dos alunos na primeira infância.

Não há nenhuma possibilidade de substituir o convívio com professor e colegas na educação infantil. Crianças precisam do contato humano! Mas, por que não combinar os dois mundos de maneira que faça sentido para criança? Uma aula pode começar no ambiente físico e se estender com práticas e atividades no virtual.

Na verdade, a ideia do ensino híbrido é justamente essa: que ele extrapole ambientes, de maneira que o ensino transpasse a rotina da criança, independente de onde ela esteja. Por exemplo, se no presencial a professora ensina sobre fotossíntese e o crescimento das plantas, pode-se propor uma experimentação em casa como o plantio do feijão no algodão ou a construção de uma hortinha caseira.

Ao mesmo tempo, a professora pode apresentar um vídeo sobre o assunto, propor uma pesquisa online e um debate em sala. Quem sabe, até, uma aula bem prática, fazendo uma receita a partir dos temperos cultivados pelas próprias crianças?

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Quando falamos no uso da tecnologia a ideia é que ela não seja uma limitadora dos movimentos da criança, prendendo-a a um computador ou celular. É necessário pensar em um uso que amplie as possibilidades do aluno e o conduza a novas descobertas.

A tecnologia e o ambiente virtual devem ser explorados de forma a incentivar a criança a explorar outros ambientes. O aprendizado começa ali na tela, mas ele deve ser tão rico e engajado na realidade da criança que o próprio aluno tenha necessidade de transpor a tela.

Pode-se, por exemplo, usar vídeos do estilo “faça você mesmo”, que ensinam as crianças a fazerem atividades diversas como danças, confecção de origames, ou receitas culinárias. Dessa forma, a criança inicia o aprendizado no meio virtual, mas em seguida experimenta, de fato, os campos de aprendizagem.

Dessa forma, a escola garante um dos direitos de aprendizagem da criança, previsto na BNCC: “Explorar movimentos, gestos, sons, formas, texturas, cores, palavras, emoções, transformações, relacionamentos, histórias, objetos, elementos da natureza, na escola e fora dela, ampliando seus saberes sobre a cultura, em suas diversas modalidades: as artes, a escrita, a ciência e a tecnologia”.

Benefícios para as crianças

Talvez você esteja pensando que o ensino híbrido na educação infantil só vai complicar “como as coisas já são feitas” e que após a pandemia e o retorno das aulas 100% presenciais nada disso mais será necessário.

Se você é da gestão escolar, talvez seja tentado com esse pensamento, uma vez que mudanças sempre trazem muitas adaptações e desgastes.

Mas, acredite, o ensino híbrido e todo ensino que considera a cultura digital têm vantagens insubstituíveis, principalmente nesses tempos de evolução da tecnologia. Cada vez mais as escolas serão cobradas por seu papel de formar cidadãos adaptados e contextualizados ao seu tempo. Então, não há como fugir da inovação.

Crianças que são expostas a um aprendizado que inclui o digital desenvolvem novas habilidades. Elas são instigadas a resolver problemas, a aprender de forma autônoma, a gerir bem seu tempo, a pesquisar informações, a se relacionar em diferentes ambientes, a colaborar e a praticar a criatividade.

Dicas para implementar o ensino híbrido na escola infantil

Sabemos que nem sempre é fácil pegar um conceito como esse do ensino híbrido e aplicá-lo à prática da sala de aula. Por isso, separamos aqui algumas dicas para implementar esse formato na sua instituição de educação infantil. Confira:

Pense em resultado e não na ferramenta

É só falar em uso de tecnologias na educação para a gestão escolar e os professores começarem a pensar em currículos que proponham atividades baseadas na utilização de uma ferramenta.

Mas esse não é um bom começo. Isso porque, ao planejar assim, a proposta usa a tecnologia de forma descontextualizada: é apenas uma desculpa para usá-la. A forma mais apropriada é pensar nos objetivos e resultados almejados e, a partir disso, planejar uma aula que utilize recursos digitais.

Promova conexão, independente do ambiente

Não é porque o professor está propondo uma atividade virtual que ele não pode incentivar a conexão entre os colegas e entre ele mesmo e os alunos. Uma das vantagens do digital é justamente ensinar as crianças sobre os relacionamentos em diferentes ambientes, então é importante que ela experimente essa conexão humana no ambiente online. É possível fazer isso propondo atividades de colaboração e discussão, por exemplo.

Incentive atividades mão na massa

Uma das principais características do ensino híbrido é o estímulo à autoaprendizagem. Nesse contexto, o professor pode propor as atividades que vão na linha da “cultura maker”. É o “mão na massa”, no bom português. Aprender fazendo! Para isso, ele pode propor a exposição de um conteúdo na aula presencial, por exemplo, alinhada à experimentação em casa, em outros ambientes e ao uso de tecnologias. Veja algumas dicas:

Coleta no parque ou quintal

Nessa atividade, as crianças são desafiadas a identificarem os diferentes elementos da natureza em um dia de coleta no pátio da escola, em um parque ou praça ou mesmo no quintal de casa. Elas podem coletar materiais como pedras de diferentes formatos e cores, folhas, flores, gravetos, torrões, entre outros. Em seguida podem fazer uma exposição na sala e conhecer os diferentes materiais dos colegas.

Meu primeiro livro

Em uma aula sobre livros e literatura, a professora pode mostrar, por meio de um vídeo, o processo de produção de um livro infantil. Em seguida ela propõe que as crianças escrevam, ilustrem, editem e montem seu próprio livro. Os alunos também podem ser convidados a contarem suas histórias para toda a turma.

Minha galeria de arte

Após uma aula expositiva sobre arte, os alunos podem ser convidados a fazer um tour por uma galeria virtual. Em seguida, são desafiados a escolherem seu próprio tema para uma galeria de arte que será exposta na sala de aula. As imagens podem ser coletadas na internet e também feitas pela própria criança.

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