História da alfabetização no Brasil: conheça as transformações do ensino da leitura e escrita

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O ensino da leitura e da escrita no Brasil  já passou por muitas fases ao longo da história do país. A prática estava presente na sociedade antes mesmo da criação dos conceitos de alfabetização e letramento e, nas últimas décadas, passou por muitas transformações. Neste artigo vamos conhecer a história da alfabetização no Brasil.

Essas mudanças estão relacionadas à conceituação desse ensino e também aos métodos utilizados. Vale lembrar que o ensino da leitura e escrita está diretamente associado ao grau de liberdade e autonomia dos alunos.

E, por isso, o tema é sempre visitado e revisitado a cada mudança de poder. A história da alfabetização está diretamente ligada à disputa de poder no Brasil.

Mas, por que conhecer a história da alfabetização faz sentido para a gestão escolar e todos que trabalham com educação infantil? Será que esse é um conhecimento periférico e distante da prática do professor que está na sala de aula?

Não, não é. É de suma importância conhecer a história da alfabetização, como ela foi influenciada pelos períodos históricos e como as transformações foram necessárias para seu aperfeiçoamento.
Dessa forma, a gestão escolar e o professor terão uma visão muito mais ampla da função de alfabetizador, além de entenderem com mais profundidade a eficácia dos métodos que se utiliza hoje em sala de aula.

Neste artigo você encontrará um breve resumo da história da alfabetização no Brasil e saberá como o ensino da leitura e escrita foi se transformando ao longo dos anos.

Breve histórico da alfabetização no Brasil

A educação no Brasil teve início no período colonial, por volta de 1550 com a chegada dos padres jesuítas, trazidos pelos portugueses. Eles tinham a missão de converter os índios ao cristianismo e trouxeram um modelo de educação baseado na moral e nos valores religiosos.

Era uma educação impositiva que desconsiderava a cultura e saberes dos índios, que eram vistos como uma folha em branco. Dessa forma, a igreja católica tinha grande domínio sobre a educação no Brasil nesse período.

Não havia ainda muitas definições nem preocupação com métodos de ensino. Mas, com os movimentos de formação da República isso começou a mudar. A história da alfabetização no Brasil pode ser dividida em quatro fases. Confira:

1 – Formação da República: criação do método sintético

Com o período republicano começou-se a falar sobre a organização da educação no Brasil. Por volta de 1870 surgiram as primeiras tentativas de criação de métodos que ajudassem a evoluir o ensino da leitura e escrita.

Isso porque “ler e escrever” passaram a ser habilidades importantes para a formação das pessoas em um contexto em que a valorização patriótica era necessária. O analfabetismo, inclusive, passou a ser uma preocupação real que culminou na proibição do voto de quem não sabia ler e escrever.

Dessa forma, o poder da igreja sobre a educação foi diminuindo na mesma proporção em que aumentava o domínio do Estado sobre ela.

Nesse período, criou-se o método sintético que está baseado no aspecto fônico, na soletração e na silabação. Ele parte do ensino dos sons de cada letra que, ao serem combinados, formam as palavras. A técnica de ensino estava baseada nas cópias e nos ditados e havia grande valorização da caligrafia.

2 – Início do século 20: criação do método analítico

Era início de um novo século e a preocupação com os métodos e a forma certa de se ensinar foi aumentando. Foi nessa segunda fase que criou-se o termo “alfabetização”, que considerava o ensino simultâneo de escrita e leitura. Até o século 19 o foco estava principalmente na leitura.

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Na busca pela melhor metodologia de alfabetização, o método sintético passou a ser criticado por propor o ensino da leitura de forma fragmentada, indo da “parte ao todo”.

Surgiu, então, o método analítico que seguia na lógica contrária: do “todo à parte”. Nele, a leitura era ensinada a partir de textos ou sentenças com sentido completo e, só depois, as partes (palavras, sílabas e letras) iam sendo apresentadas.

3 – Anos 20: a mensuração da alfabetização

A década de 20 foi um período de transformações no Brasil e na educação não foi diferente. A terceira fase da alfabetização começa justamente em 1920 e vai até 1970. Nesse período, os métodos sintético e analítico são considerados ultrapassados e surgem os métodos mistos, que consideram um pouco de cada metodologia.

É nessa época também que ganha força a ideia da psicologia científica, bandeira do educador Manuel Bergström Lourenço Filho. A alfabetização passa a ser vista como um processo psicológico e que deve ser mensurado. Essa é a base do surgimento dos testes ABC que avaliam o nível de maturidade dos alunos e dão lugar às turmas separadas de alunos “fracos”, “medianos” e “fortes”.

4 – Restauração da democracia: o surgimento do construtivismo

A última fase da alfabetização no Brasil iniciou-se em 1980 e é a fase vigente. As transformações propostas por esse período seguiram o cenário político e social do país, que também passava por grandes mudanças, que culminaram na restauração da democracia.

Foi em 1980 que o termo “letramento” foi criado não para substituir a alfabetização, mas para ampliar a visão do ensino da leitura e escrita, que deve incluir o contexto social dos alunos.

Ganha força também o método construtivista do psicólogo e epistemólogo suíço Jean Piaget que propõe a participação ativa dos alunos na educação. Nesse método, o professor atua como mediador do conhecimento.

Em nosso canal no Youtube, temos videos sobre os principais pensadores que contribuiram para a educacao infantil no Brasil. Dentre eles , Jean Piaget, veja abaixo:

Quem pode ser chamado de alfabetizado?

A história da alfabetização no Brasil também passa pela definição do que é ser alfabetizado. Esse é um aspecto interessante que deve estar na reflexão da gestão escolar e de todos que trabalham com a educação de crianças.

Até o século 19 uma pessoa era considerada alfabetizada se apenas soubesse escrever ou ler o próprio nome. Já no século 20 essa concepção foi alterada e passou-se a exigir mais do sujeito para que ele fosse considerado alfabetizado. Agora, ele precisava, também, escrever um bilhete simples.

Por fim, em 1962, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) elaborou um parâmetro internacional sobre a alfabetização. O documento defende que a ideia de alfabetização deve ir além da codificação e decodificação das letras. O sujeito alfabetizado deve, portanto, ser capaz de usar a habilidade da leitura e escrita na sua atuação social.

E é nessa última perspectiva que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) está amparada. Ela estabelece que a alfabetização aconteça nos dois primeiros anos do Ensino Fundamental de maneira que “os alunos se apropriem do sistema de escrita alfabética de modo articulado ao desenvolvimento de outras habilidades de leitura e de escrita e ao seu envolvimento em práticas diversificadas de letramentos”.

O documento da BNCC ainda cita o Parecer CNE/CEB nº 11/201029: “os conteúdos dos diversos componentes curriculares […], ao descortinarem às crianças o conhecimento do mundo por meio de novos olhares, lhes oferecem oportunidades de exercitar a leitura e a escrita de um modo mais significativo” (BRASIL, 2010).

Para seguir esse conceito ampliado de alfabetização e oferecer aos seus alunos um ensino de qualidade, a gestão escolar e os professores precisam ficar atentos à construção de conteúdos inovadores para a prática da sala de aula. Quer dicas de atividades e conteúdos para a educação infantil? Acesse nossos materiais gratuitos!

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