Jardim de infância: de onde surgiu o termo na educação infantil?

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O que todo educador sonha é ver seus alunos “florescendo e desabrochando”. Mas você já parou para pensar no por que se diz “jardim de infância” para falar da educação infantil? 

De onde surgiu essa ideia de comparar crianças a sementes e plantas? Quem relacionou o desenvolvimento das crianças de zero a sete anos com a botânica? A pedagogia alemã do século XIX pode ajudar a explicar com a chamada metodologia froebeldiana. 

Já se sabe que os primeiros anos escolares de uma criança são cruciais para seu potencial crítico e criativo. Ainda assim, até os dias atuais educadores estão repensando a educação espontânea, que contrapõe à educação tradicional. 

Quais as melhores formas de ensinar autonomia, inteligência emocional e conhecimento de vida para os pequenos? E como os brinquedos podem contribuir para essa formação humana? Qual o papel do professor nesse contexto: de mediador, instrutor ou detentor absoluto do saber? Saiba mais sobre isso neste artigo! 

Breve histórico da origem de Jardim de Infância

A educação infantil é considerada hoje fundamental para a formação escolar do estudante. Mas nem sempre foi assim. Somente no século XIX é que surgiu o termo jardim de infância, que foi criado por um pedagogo alemão, Friedrich Froebel (1782-1852). Amante da botânica e defensor revolucionário do papel ativo do aluno, ele defendia que a criança é como “flor que desabrocha”. Portanto, deveria ser nutrida e cuidada como planta. Daí, a referência ao jardim. 

Naquela época, a infância ainda era vista como uma fase em que a criança era um mini adulto que deveria obedecer e se vestir como adulto. Brincar era um luxo para classes mais abastecidas e não tinha a importância que se tem hoje, nem livre expressão e socialização. 

Em alemão, jardim de infância é kindergarten. A proposta pedagógica por trás do termo era baseada em brincadeiras livres, inventadas pelas crianças e mediadas pelo educador. Ao professor cabia a mediação e não a transmissão autoritária do conteúdo. Durante o ensino, usava-se argila, terra, barbante e areia para estimular a imaginação e habilidades motoras em atividades de jardinagem”. 

Raízes na educação infantil 

Na época em que Froebel criou o termo, as crianças abaixo de sete anos eram consideradas muito novas para estarem na escola. Os kindergartens foram chamados inicialmente de “viveiros infantis” justamente porque o educador alemão considerava as crianças plantinhas. Eram sementes que deveriam ser cuidadas com afeto e, se adubadas, estariam livres para aprender sobre si e sobre o mundo. 

Assim, a principal finalidade dos jardins de infância era colocar as crianças em relação com a natureza e com o seu próprio desenvolvimento. O aluno era reconhecido como o protagonista de seu próprio aprendizado.  A filosofia de educação de Froebel se apoiava na auto expressão livre, na criatividade, na participação social e na expressão motora.

 Ideais do jardim de infância 

Froebel defendia que o verdadeiro conhecimento para as crianças se dá a partir de atividades imaginativas. Até hoje, suas teorias continuam modernas. Ele foi o primeiro educador a falar sobre a formação do currículo escolar de acordo com interesses de cada fase vivida da criança. 

Também se destacou como pioneiro ao enfatizar o brinquedo como material educativo. Ele entendia o brincar como um instrumento poderoso para o desenvolvimento na educação infantil. Em seus livros, Froebel chegou a dizer que a brincadeira é a expressão do mundo interno da criança. Veja uma citação:

“As brincadeiras são as folhas germinais de toda a vida futura; pois o homem todo é desenvolvido e mostrado nela, em suas disposições mais carinhosas, em suas tendências mais interiores” (Froebel, 1887).

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Froebel tinha por filosofia que as crianças deveriam ser cultivadas nas formas de vida (natureza), beleza (estética) e conhecimento (ciência). Para isso, ele desenvolveu brinquedos educativos, chamados por ele de “dons”: novelos; esfera, cilindro e cubo; cubo dividido; prismas retangulares; cubos e prismas retangulares; blocos de construção.

Para esse pedagogo alemão o aluno deve expressar as histórias contadas pela professora por meio de canções e representações. Ou ainda, por meio de figuras e construção de objetos simples com barro e papel. Sua pedagogia moderna contribuiu também com a ideia de que o ser humano é essencialmente dinâmico e ativo, atuando no mundo. 

Avanço da metodologia até hoje 

O primeiro jardim de infância do mundo foi inaugurado em 1840, no leste alemão, em Bad Blankenburg. Quando se integra à escola pública, o jardim de infância passa a ganhar status de preparo para a escola primária.

A metodologia froebeliana revolucionou a educação na época porque permitia o direito de brincar. Até então poucos eram os espaços para brincadeiras livres. Os filhos dos operários alemães não eram autorizados a estar nos jardins de infância. A escolarização era prioridade e a brincadeira livre ficava em segundo plano. 

Isso porque a pedagogia do século XIX ainda não estava atenta à educação infantil. Era como se a sua existência ameaçasse a função da escola primária e até mesmo da família. Por muitos anos os jardins de infância ficaram restritos a um número de alunos privilegiados e foram atacados pela parcela tradicional da sociedade alemã.

No Brasil, somente com a revisão curricular de 1980 foi permitida a instalação de brinquedotecas. Ou seja, espaços voltados para atividades lúdicas, com brinquedos e muita interação entre crianças. Foi partir desse marco na educação que as escolas de educação infantil foram obrigada a criar espaços para que cada criança construísse suas próprias brincadeiras.

Froebel na educação infantil brasileira 

Foi no Rio de Janeiro do século XIX que o educador e médico Joaquim José de Menezes Vieira fundou o primeiro “kindergarten”. Até então, o Rio era a capital do império e não havia nenhum outro projeto semelhante. 

Chamado de Colégio Menezes Vieira (existência de 1875 a 1887), oferecia os ensinos primário, secundário e profissional em três sistemas. Eles eram: internato, semi-internato e externato. 

O jardim de infância do Colégio Menezes Vieira só admitia meninos e funcionava em um prédio cuja forma era a de um pavilhão hexagonal. Foi construído no centro de um jardim e oferecia aulas de ginástica, pintura, jardinagem, desenho. Também oferecia exercícios de linguagem e de cálculo, religião, história e geografia. 

Os “exercícios de jardinicultura” eram realizados pelos alunos mais velhos, sob orientação das professoras. As salas acomodavam até trinta alunos, com bancos e mesas arredondadas. Nas paredes eram exibidos os trabalhos dos alunos e frases de Froebel. Entre elas: “a vida de uma criança deve ser uma festa perpétua” e “o jardim há de dar o que os cárceres não deram”. 

A concepção de Froebel influenciou muitos educadores e é pioneira no movimento pedagógico que depois seria chamado de Escolanovista. Sua concepção sobre a educação infantil e o desenvolvimento das crianças contribuiu para o debate do papel da escola e do professor. 

No jardim de infância desse pedagogo alemão o professor tem como função estimular a curiosidade naturalmente despertada no aluno. Cabe ao educador começar pelo o que a criança já conhece, ouvir suas ideias e ajudá-lo a aprender a se integrar ao mundo. 

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