A letra cursiva vai acabar? Conheça os argumentos favoráveis e contrários

Plano de aula segundo a BNCCPowered by Rock Convert

Até há alguns anos não havia tanta polêmica sobre o processo do ensino da escrita: a criança era apresentada às letras de forma, que também são chamadas de letra bastão. Depois, o aluno aprendia a juntar essas letras em sílabas e palavras e, só quando já tinha dominado esse processo, era ensinada a desenhar e entender a letra cursiva, que também é chamadas de letras de mão.

Mas, o aprendizado da letra cursiva passou a ser questionado na medida em que uso da tecnologia substitui a escrita a mão. Num mundo em que as crianças já nascem sabendo usar o touch screen e que tudo ao seu redor é escrito em letras de forma, qual a importância da bordada letra de mão?

O tema está longe de ter um consenso: há quem acredite que a letra cursiva deve acabar porque emperra o aprendizado dos alunos, privilegiando técnica e desprezando o entendimento do que se escreve. Por outro lado, há quem defenda a letra de mão e associe seu aprendizado ao desenvolvimento cognitivo e motor.

Faça o download deste post inserindo seu e-mail abaixo

Não se preocupe, não fazemos spam.
Powered by Rock Convert

O que diz quem é favor da letra cursiva?

Diversos especialistas e professores são defensores incansáveis da letra cursiva e não suportam ouvir que seu ensino está sendo ameaçado. Mas, por quê? Eles entendem que, por mais que essa escrita tenha seu uso diminuído no dia a dia por causa da tecnologia, o aprendizado dela é importante para a alfabetização.

Eles afirmam que a formação do aluno não pode ser ameaçada por modismos ou tendências que surgem a todo momento. Alguns lembram que essa é a escrita mais rápida e fluente e, portanto, muito útil em processos de aprendizados em que é preciso escrever “em tempo real”. Além disso, há aqueles que defendem que o ensino da letra cursiva ajuda no desenvolvimento psicomotor que é adquirido no desenho das letras.

Também há um entendimento de que, justamente por causa desse desenvolvimento cognitivo e da memória motora, a criança aprende melhor a ortografia. Há até quem diga que o ensino da letra cursiva desenvolve o gosto dos alunos pela escrita e a leitura. E, é claro: como essa letra ainda existe no mundo, seu ensino é importante para que as crianças saibam reconhecê-las e lê-las, caso se deparem com elas.

Também há pesquisas que mostram os benefícios da letra cursiva. A Nova Escola cita nesse artigo o estudo da professora de Psicologia Educacional, Virginia Berninger, da Universidade de Washington. Ela comparou a atividade cerebral de crianças enquanto digitavam no computador, enquanto escreviam em letra bastão e quando utilizavam a cursiva.

O resultado encontrado pela pesquisadora foi que a atividade de escrita da letra de mão foi a que mais gerou conexões entre diferentes áreas do cérebro das crianças.

Nesse mesmo artigo há a defesa da psicomotricista Ana Mello. Ela afirma que a necessidade de ligar as letras na escrita cursiva envolve habilidades motoras, espaciais, rítmicas e cognitivas, o que não ocorrem na escrita digital ou na escrita em bastão.

Quais os argumentos de quem é contra?

É importante destacar que o ensino da letra cursiva está sendo repensado em muitos lugares. Países como Finlândia e Estados Unidos já passaram por esse processo e estão substituindo seu ensino.

Entre os argumentos mais fortes de quem defende o fim da letra de mão está o de que ele atrapalha o aprendizado dos alunos, uma vez que a técnica é privilegiada em detrimento do real aprendizado do significado das palavras.

Formação ContínuaPowered by Rock Convert

A ideia de que o aluno que tem uma letra bordada e impecável é mais desenvolvido faz com que muitos educadores coloquem o foco no lugar errado. Dessa forma, não é incomum ter crianças com uma letra perfeita, mas com dificuldades de entender o que está escrevendo.

A partir desse mesmo argumento alguns educadores chegam a classificar a letra cursiva como segregadora, pois exclui crianças que não conseguem dominar a técnica da caligrafia. Quando o tema é ampliado e pensamos em crianças com deficiências como Down ou dificuldades motoras essa exclusão é ainda maior.

A crítica à escrita cursiva também é amparada por novas abordagens na alfabetização, que passaram a priorizar a escrita na prática social. A ideia é que a criança aprenda a escrever a partir de situações reais do seu dia a dia, como bilhetes, receitas e escrita no computador ou tablet.

Nessa abordagem, os longos exercícios de caligrafia e o foco no bordado das letras perdem o sentido. A comunicação ganha mais importância.

Há também quem questione as pesquisas sobre o uso da letra cursiva para o desenvolvimento psicomotor. E o motivo é simples: há diversas outras formas de se fomentar o cognitivo e a motricidade de uma criança.

Pode-se, por exemplo, propor atividades de desenho, pintura e colagens, que ainda têm a vantagem de estimular a criatividade e não são pedantes como a cópia da caligrafia.

Como proceder, afinal?

Diante da polêmica, o educador pode se sentir confuso e não saber o melhor caminho a ser tomado. É claro que não há uma resposta fechada para essa questão e é exatamente por isso que existe a discussão. Mas, uma boa saída é tentar aprender com os argumentos de ambos os lados.

Por exemplo: é fácil concordar que o ensino deve privilegiar a alfabetização e o letramento da criança e não a técnica na caligrafia, não é mesmo? Isso não quer dizer que você precisa excluir o ensino da letra cursiva, mas que o desempenho do aluno nessa técnica não é o mais importante. E mais: que uma letra perfeita não necessariamente reflete bom desempenho ou inteligência.

A ideia de um ensino da escrita que leva em conta as práticas sociais da criança também pode ser incorporada ao aprendizado da letra cursiva. Nesse caso, em vez de pedir que a criança escreva textos longos ou faça cópias de palavras, o educador pode usar situações em que ainda se escreve com a letra de mão. Alguns exemplos são pequenos bilhetes ou anotações em post-its.

Seja qual decisão a escola tomar em relação à letra cursiva é importante que o ensino seja flexível e permita que o aluno crie a identidade da sua própria letra e não associe seu sucesso à qualidade da caligrafia.

É importante que o educador também esteja em constante aprendizado, buscando as melhores práticas para que a forma de ensinar seja, ao mesmo tempo, contemporânea, mas sem abrir mão dos elementos básicos da formação integral dos alunos. Se você quer ficar informado sobre temas como esse, assine nossa newslleter!

Curriculo segundo os campos de experiência da BNCCPowered by Rock Convert

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *