A ludicidade na educação infantil: como aplicar brincadeiras no ensino?

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Todo mundo sabe que o brincar e a ludicidade são partes fundamentais da vida de uma criança. Mas, quando chega a hora de colocar o uniforme e a mochilinha nas costas para ir à escola, há quem pense que a brincadeira acabou. 

Alguns pais chegam a orientar os filhos que a escola é lugar de “coisa séria”, como se fosse possível ligar um botão na criança para que ela separe hora de estudar e hora de brincar.

A verdade é que não há nada mais “sério” e eficiente para o desenvolvimento integral de uma criança do que uma educação que inclui a ludicidade. A orientação está, inclusive, na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que alerta que as as interações e as brincadeiras são eixos estruturantes das práticas pedagógicas na Educação Básica. O documento deixa claro que a hora de aprender pode ser a mesma hora de brincar.

É claro que, ao se falar sobre brincadeiras na escola, não se trata apenas de espalhar brinquedos e jogos e deixar que as crianças brinquem de forma autônoma. Isso pode ser feito, mas a inclusão do lúdico no ensino vai muito além dessa estratégia. Toda a proposta de brincadeira deve ser pensada, preparada e mediada pelo educador para que ela seja mais proveitosa no aprendizado.

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Mas, o que é ludicidade?

Ludicidade vem do termo lúdico, que está relacionado a jogo ou a brinquedo. Dessa forma, atividades lúdicas normalmente passam por estratégias que utilizam esses instrumentos, sejam brincadeiras em roda, com dança, no parquinho, jogos de tabuleiro, jogos de palavras, gincanas, entre outros.

Mas a ludicidade não pode ser entendida apenas como atividades de brincar. Seu conceito está relacionado à espontaneidade, à liberdade e à autonomia das crianças, à expressão de emoção e ao prazer. Ela é manifestada em atividades que despertam a percepção, a imaginação e a ressignificação.

Quando o educador entende essas características, ele é capaz de pensar por conta própria em atividades lúdicas que extrapolam o óbvio dos joguinhos e brincadeiras de roda.

O lúdico e sua importância prática

As atividades lúdicas são essenciais para o desenvolvimento integral da criança. Por meio delas é possível trabalhar com os alunos diversos conceitos, como cooperação, afetividade, autoconfiança, resolução de problemas, disciplina, atenção às regras. Além disso, podem ser muito úteis no desenvolvimento psicomotor.

O jogos e as brincadeiras que exploram a imaginação e o fantástico também têm uma importância especial, que é o desenvolvimento da capacidade de abstração. Na medida em que interpretam papéis e se permitem viver outros mundos, as crianças começam a fazer a separação entre fantasia e realidade, o que é essencial para um desenvolvimento saudável na infância e, posteriormente, na vida adulta.

A ludicidade também é a chave para atrair a atenção da criança, o que é essencial para a captação e memorização de conhecimentos. Entenda: um aluno desinteressado e sem atenção dificilmente aprenderá, mas se o educador usar o lúdico para despertá-lo, então terá resultados muito mais concretos no ensino.

No livro “Neurociência e Educação” os autores Ramon Cosenza e Leonor Guerra explicam que o cérebro aprende a partir de uma série de mecanismos internos e externos à estrutura do ser humano. Um deles é a atenção, que seleciona o que é mais importante em meio a um turbilhão de conteúdos.

De acordo com os autores, o cérebro está mais disposto a selecionar o que ele interpreta como significativo. E terá “mais chance de ser significante aquilo que é estimulante e agradável”.

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O papel do educador

Se você é educador no ensino infantil já deve ter ouvido a fatídica pergunta: “Seu trabalho é apenas brincar com as crianças?”. O lamentável questionamento é carregado de ignorância em relação à educação infantil. Primeiro porque a formação de uma criança é muito mais complexa e profunda do que entretê-la com brincadeiras. Segundo porque brincar com elas não tem nada de “apenas”. A utilização do lúdico no processo de aprendizado é grandioso e louvável.

É importante frisar que as brincadeiras, os jogos e outras estratégias baseadas na ludicidade são apenas ferramentas. O educador tem papel fundamental nesse processo de guiar os alunos por um aprendizado lúdico. É ele que vai escolher as atividades mais adequadas para desenvolver habilidades e trabalhar conceitos. É ele que vai preparar o ambiente para essas brincadeiras e definir tempo de duração.

Perceba: as brincadeiras têm um papel muito bem definido dentro do plano de aula do professor e não são despropositadas.

A própria BNCC lembra que é excelente a concepção de um aluno autônomo, que escolhe suas brincadeiras, que questiona e participa do processo de aprendizagem. Mas, isso não “deve resultar no confinamento dessas aprendizagens a um processo de desenvolvimento natural ou espontâneo”. O documento afirma que o educador deve “imprimir intencionalidade educativa às práticas pedagógicas”.

Dicas para trabalhar a ludicidade em sala de aula

Não é difícil encontrar boas ideias de atividades lúdicas para realizar com as crianças. Há diversos jogos prontos, o Youtube está cheio de músicas educativas e os professores sempre podem recorrer às propostas mais antigas, mas que não saem da moda por serem muito eficientes. Alguns exemplos são as rodas de leitura, brincadeiras como corre-cutia e seu mestre mandou, além de propostas de artes manuais com sucata e massinha.

Mas há sempre um jeito de inovar. Basta pensar nos objetivos daquela atividade, nas habilidades que você gostaria de estimular nos alunos e o quanto essa brincadeira vai contribuir para o desenvolvimento deles. Confira algumas sugestões:

Como eu sou?

O autoconhecimento é um aprendizado muito importante na infância e pode ser trabalhado de diversas formas. Nessa atividade os alunos vão se deitar sobre um grande papel e a professora vai desenhar a silhueta deles. Em seguida ela recorta e entrega aos alunos, pedindo que desenhem as partes que estão faltando, como olhos, nariz, boca, orelhas, cabelo, etc. Pode ser interessante a utilização de um espelho para que eles observem a si mesmos e depois desenhem no papel.

Adivinhe com os sentidos

Essa é uma brincadeira muito divertida e que vai ensinar, na prática, sobre os sentidos. A ideia é que a professora prepare vários objetos e materiais sem revelar às crianças. Em seguida ela desafia os alunos a adivinharem o que é por meio dos sentidos. Pode ser uma fruta que é provada com os olhos vendados. Ou, quem sabe, um urso de pelúcia dentro de uma caixa que só pode ser tocado. A mesma ideia segue para os demais sentidos. A experiência vai render boas risadas, além de muito aprendizado.

Leia: Traços, sons, cores e formas: você sabe como trabalhar esse campo de experiência em sala de aula?

Cabe ou não cabe?

Trabalhar a noção espacial e de quantidades é importante na educação infantil. Para isso, a professora pode marcar no chão um círculo ou um quadrado e pedir para que as crianças ocupem aquele espaço de diferentes formas. Ela pode pedir para que só as meninas entrem ou para que apenas quem tem a letra A no nome fique de fora. A professora pode debater com as crianças os motivos de o círculo ficar vazio ou cheio demais.

Quer mais ideias?

Se você tem interesse em ter mais informações sobre educação infantil e se inspirar em ideias como essas, acesse o canal da AIX no Youtube. 

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