Criança doente na escola: o professor pode medicar?

O professor da educação infantil pode medicar alunos? A instituição de ensino é obrigada a administrar medicamentos? E se ela o fizer, quais os cuidados deverá ter? Neste artigo respondemos essas perguntas, acompanhe!

Nariz escorrendo, febre, tosse, dor de cabeça. Nem é preciso continuar: todo professor de educação infantil sabe bem que esses e outros sintomas são muito comuns nas salas de aula. 

Sim, crianças adoecem com uma certa frequência e, quando o caso é de um quadro que não as impedem de ir à escola, a instituição de ensino acaba tendo que dividir o problema com a família.

É que, às vezes, privar a criança de frequentar as aulas é mais prejudicial do que uma gripe ou um processo simples de infecção de ouvido, por exemplo. Há doenças que são comuns na infância e se a criança tiver que faltar às aulas todas as vezes que soltar um espirro, então provavelmente passará mais tempo que deveria fora da escola.

A questão é que mesmo essas doenças mais simples exigem, muitas vezes, um tratamento com medicação. Sejam antibióticos, anti-inflamatórios, analgésicos ou medicamentos para higienização do nariz e dos ouvidos: eles costumam ser recomendados pelos pediatras. O problema é que, como são administrados em mais de um turno no dia, a responsabilidade também recai sobre a escola.

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O papel da escola 

É importante frisar que, embora a legislação autorize a administração de medicamentos no ambiente escolar, a instituição não é obrigada a fazê-la. Ela pode se valer desse direito, dizendo, por exemplo, que não tem um profissional adequado para o procedimento. Ou, ainda, que não possui condições logísticas para armazenar adequadamente a medicação.

É claro que aqui cabe o famoso “bom senso” e até mesmo um pouco de estratégia de retenção de alunos. Pois se negar a amparar à família em uma tarefa que poderia ser simples também não é uma boa ideia.

Se a escola tiver um profissional dedicado, como uma enfermeira, ou, ainda, se for um caso específico em que a professora tenha condições de atender, então não é aconselhável a recusa.

Mas, atenção: para medicar aluno, a escola precisa seguir algumas regras básicas. A mais importante delas é a exigência de uma cópia da receita médica e de um documento de autorização dos pais. Esse cuidado vai garantir não apenas a segurança jurídica da escola, mas também o bem-estar do aluno.

Ao medicar a criança, o professor deverá conferir a orientação médica na receita, uma vez que até mesmo os pais podem se enganar e passar uma orientação equivocada. Ao recebê-la dos pais é importante conferir se ela tem o nome da criança, a especificação do medicamento e o carimbo do médico com CRM.

Além disso, a escola deve orientar os pais a entregar o medicamento nas mãos do responsável na escola, nas embalagens originais e, de preferência, com a identificação da criança. 

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Leia também: Saiba como conquistar a confiança dos pais

Em hipótese alguma a escola deve sugerir que o remédio seja enviado pela mochila da criança, a fim de evitar que ela ou os colegas tenham acesso a ele. Da mesma forma, o professor deve encontrar um local adequado para armazená-lo de forma segura, enquanto estiver na escola.

Quando medicar alunos?

O ambiente da escola é para ser desfrutado, prioritariamente, por crianças saudáveis. De maneira geral, uma criança doente, com febre e que não está se sentindo bem deve ficar em casa ou no hospital. 

Mas, como já dissemos, alguns quadros são mais simples e os próprios pediatras permitem que a criança vá à escola. Nesse caso, se ela precisar de um remédio recomendado via receita médica, então essa deverá ser uma exceção.

Alguns pais podem insistir com o professor e até autorizar por conta própria a medicação de analgésicos para dores de cabeça simples ou, ainda, remédio para desconforto abdominal.  Por mais que sejam medicamentos de uso comum, a escola não pode aceitar administrá-los se não for por recomendação médica.

Exigindo a receita médica, a escola evita problemas graves, como uma reação alérgica ou complicação do quadro de saúde, e também ajuda na educação da família no que diz respeito à automedicação, que é um problema grave no Brasil. Só para se ter ideia, uma pesquisa realizada pelo Instituto de Ciência Tecnologia e Qualidade (ICTQ) revelou, em 2018, 79% do brasileiros com mais de 16 anos consumiam medicamentos sem prescrição médica. 

Escolha um caminho seguro: dicas práticas

Se estamos falando de um problema que pode ser muito comum nas escolas, então é aconselhável que elas façam um planejamento e se preparem adequadamente para ele.

É importante que a administração escolar se antecipe aos conflitos e desenhe soluções para atender as famílias da melhor forma possível, sem, porém, colocar a segurança jurídica da escola e o bem-estar dos alunos em risco. Confira algumas dicas práticas:

Crie um protocolo

Respeitando a legislação, a escola pode fazer suas próprias regras e comunicar isso no documento que será assinado pelos pais na matrícula. A instituição pode discriminar a exigência da receita médica e autorização dos responsáveis; pode criar casos de exceção sobre quando não aceitar uma criança doente ou a administração de algum tipo de remédio. Nas regras pode, inclusive, detalhar os procedimentos no caso de uma criança doente e da impossibilidade de os pais buscá-la, além de outras situações como machucados ou acidentes.

Contrate um especialista para medicar os alunos

Se sua escola tem um número elevado de crianças e condições de contratar um profissional especializado da área de saúde, então essa é a melhor forma de resolver esse problema. A escola poderá concentrar essa responsabilidade em uma enfermeira, por exemplo, que ficará responsável por todo o processo: desde o recebimento dos remédios, passando pela checagem da receita médica, autorização e demais regras da escola, pelo armazenamento dos remédios, até a administração, de acordo com o horário de cada alunos.

Se comunique bem com a família

A boa relação com os pais dos alunos é imprescindível para escola, principalmente quando o assunto é saúde. É importante que a escola encontre canais adequados de comunicação para que os pais sejam orientados em casos de medicação na escola. Sua instituição pode fazer isso por meio da ficha de saúde e nós temos um excelente modelo para você utilizar. Baixe gratuitamente aqui!

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1 comentário

  1. Avatar

    Texto muito bom, com excelentes orientações para uma área tão sensível: a saúde. Muito grato

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