Pensadores: contribuições de Paulo Freire para a educação infantil

Plano de aula segundo a BNCC

“Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor”.

Você certamente já ouviu essa frase. O que talvez não saiba é que ela é de Paulo Freire, um dos mais importantes pensadores da educação brasileira e que se tornou referência na área ao confrontar o chamado método bancário e propor um aprendizado libertário e autônomo.

Sua teoria tem um forte aspecto político: ele acreditava que aprender é um ato revolucionário, pois permite ao indivíduo tomar consciência de sua condição histórica e, assim, transformar sua própria trajetória.

O educador é reconhecido internacionalmente por ter criado um método de alfabetização de adultos. Na década de 60 ele alfabetizou 300 trabalhadores rurais em 45 dias, em Angicos, no Rio Grande do Norte, ao usar a estratégia de inserir no ensino a realidade vocabular dos alunos. A técnica substituiu o método vigente que trazia palavras aleatórias e descontextualizadas.

Mas, embora tenha se consagrado por esse episódio na educação de adultos, a influência de Paulo Freire se dá no ensino de todas as faixas etárias. Ele foi um importante nome no movimento que ficou conhecido como pedagogia crítica e se tornou o Patrono da Educação Brasileira.

Neste artigo vamos destrinchar a figura desse pensador e mostrar suas contribuições para a educação infantil. Acompanhe!

 

Quem foi Paulo Freire?

 

O nome completo desse pensador é Paulo Reglus Neves Freire. Ele nasceu em Recife, em Pernambuco, em 19 de setembro de 1921 e morreu em 2 de maio de 1997, em São Paulo.

Apesar de ser de uma família da classe média, ele enfrentou pobreza e fome durante a infância na época da crise de 1929.

Essa vivência aliada à sua experiência, mais tarde, com o trabalho junto a camponeses, seriam importantes fatores para conduzi-lo no caminho que o consagrou como um mestre na educação: o método educativo revolucionário e crítico baseado na autonomia e liberdade dos aprendizes.

Paulo Freire se formou em Direito, mas acabou trilhando o caminho da pedagogia. Teve suas obras traduzidas para mais de 20 idiomas, sendo “A pedagogia do Oprimido”, uma das mais conhecidas.

Nessa obra ele diferencia opressor e oprimido e defende a educação como uma chave para a recuperação do “senso de humanidade” dos oprimidos.

As contribuições de Paulo Freire são reconhecidas em diversas áreas para além da educação. Em São Paulo foi criado o “Instituto Paulo Freire“, que mantém os arquivos do educador e realiza diversas atividades para discutir as ideias do pensador e cuidar do seu legado.

 

Formação Contínua

Principais pensamentos

 

Uma das principais contribuições de Paulo Freire na educação é o questionamento ao método de educação bancária. Trata-se de uma teoria tecnicista, que funciona a partir da lógica do “depósito” de conhecimento. A educação bancária parte do princípio de que o aluno é um ser passivo e que depende 100% do professor para construir sua jornada de aprendizado.

Paulo Freire acreditava que enxergar o aluno apenas como “receptor” é uma forma de controlar o pensamento dele, tirando toda sua autonomia. Ele defende uma educação libertária, em que o aluno possa criar seu próprio caminho de aprendizado, entendendo seu lugar no mundo e sua capacidade de transformar a si mesmo e sua realidade.

Nesse sentido, a alfabetização não é um simples ensino técnico de letras e palavras. Ele é um importante instrumento para que o sujeito leia o mundo de forma crítica. Paulo Freire acreditava na “ educação emancipadora” e na missão da escola de formar cidadãos críticos e pensantes.

 

Como sua teoria se aplica à educação infantil?

 

A ideia de dar autonomia ao aluno em sua trilha de aprendizado deve começar na educação infantil. É comum enxergar a criança como um recipiente vazio que precisa ser preenchido com uma série de ensinamentos e regras, mas a verdade é que desde a mais tenra idade, o aluno tem uma bagagem que é só dele e que é importantíssima para o seu processo de aprendizado.

É nessa fase, também, que acontece a alfabetização. Ao optar por métodos que levam em consideração a realidade das crianças – em vez de métodos tecnicistas e alienantes – a escola segue na linha de pensamento de Paulo Freire, que permite ao aluno mais autonomia e consciência de si mesma no processo de aprendizado.

Isso pode ser feito a partir de planos de aulas que considerem os saberes da comunidade em questão e os conhecimentos prévios das crianças, que podem ser avaliados junto às famílias.

Nesse contexto, o diálogo é uma ferramenta primordial. Na pedagogia de Paulo Freire, o diálogo é muito mais que uma simples conversa. É por meio dele que há troca de saberes, construção coletiva de conhecimento, considerando a individualidade e a bagagem de cada um. É muito importante que o professor faça essa escuta atenta dos alunos na educação infantil e não tente falar por eles.

Para Paulo Freire, o diálogo é uma “postura necessária”, na medida em que os seres humanos se transformam cada vez mais em seres criticamente comunicativos. O diálogo é o momento em que os seres humanos se encontram para refletir sobre sua realidade tal como a fazem e a refazem (FREIRE, 2008a, p.123).

Nessa mesma perspectiva de considerar a realidade da criança no processo de aprendizagem, ganha força o conceito do “brincar”. A brincadeira é um dos principais espaços para a criança se reconhecer, enxergar o outro, se expressar e se desenvolver em diferentes aspectos.

Além disso, a escola deve estar atenta para não privar as crianças das possibilidades de conhecimento de diversas realidades. Segundo Paulo Freire, o ato de conhecer é tão vital como comer ou dormir. Ele afirma que não se pode comer ou dormir pelo outro, da mesma forma que o processo de conhecimento deve ser experimentado por cada um dos alunos, de forma livre e ampla.

É por isso que a escola infantil precisa ser, de fato, um espaço de conhecimento, em que a criança tenha liberdade para experimentar, arriscar, perguntar e criticar. Os educadores devem estar atentos para estimularem a curiosidade das crianças e comemorar quando elas, por iniciativa própria, começarem seus questionamentos sobre os “porquês” e “como” das coisas.

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