O uso da Ritalina na infância e o que a escola tem a ver com isso?

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“Pílula da inteligência”, “droga da obediência”, “pílula da matemática” e até “droga do efeito zumbi”. Com diversos apelidos que mostram a sua controvérsia, a Ritalina – medicação à base de metilfenidato – é o único remédio utilizado no Brasil para o tratamento do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), que ocorre em 3% a 5% das crianças, em diferentes regiões do mundo.

De acordo com a Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA), em mais da metade dos casos o transtorno acompanha o indivíduo na vida adulta, embora os sintomas nessa fase da vida sejam mais brandos. O TDAH é um transtorno neurobiológico de origem genética provocado pelo mau funcionamento das estruturas neurais e que provocam sintomas como desatenção, inquietude e impulsividade.

Esse transtorno costuma dificultar o aprendizado da criança e, por isso, ele é um assunto que ronda as instituições de educação. Em muitos casos, a escola é uma das primeiras a identificar o problema, justamente por ser onde a criança passa boa parte do seu dia, mas também por ser um ambiente onde sua atenção será mais exigida.

O tratamento do TDAH se dá por meio de acompanhamento psicológico e do uso da Ritalina, que é composta por metilfenidato. Essa substância química estimula o sistema nervoso central, por meio da liberação de dopamina, neurotransmissor que vai ajudar a corrigir esse funcionamento deficitário das estruturas neurais. O resultado é uma melhora na atenção da criança e diminuição de sua ansiedade.

Quer saber mais sobre crianças com TDAH? Leia aqui dois fatos que você não sabia sobre elas.

TDAH X Criança arteira

Nos últimos anos, o número de casos de uso de Ritalina na infância aumentou no Brasil. Há quem diga que isso tem a ver com o maior conhecimento sobre a doença, mas também há muita discussão sobre o diagnóstico irresponsável do TDAH. O problema é que é muito tênue a linha que separa o comportamento de uma criança com o transtorno do de uma criança que é apenas arteira.

Com base na informação de que os sintomas do TDAH são a desatenção e a hiperatividade, muitas famílias, professores e até profissionais da saúde se limitam a uma análise cheia de estereótipos. Dessa forma, se a criança é agitada, se não para quieta e não presta atenção em nada, então não demoram a aparecer os primeiros palpites e a famosa pergunta: “será que ela não tem TDAH?”.

Isso ficou tão comum que recentemente, o Conselho Federal de Psicologia lançou uma campanha com o slogan: “Se você acha que seu filho está muito arteiro, fique calmo. Ele está apenas sendo criança, ele não tem TDAH”. O alerta é ainda mais necessário nos tempos atuais de uma “sociedade hiperativa”, estimulada o tempo todo por novas tecnologias. Quem é que não se distrai em um mundo com tantas telas?

Fato é que não dá pra se basear apenas numa análise superficial do comportamento das crianças para chegar à conclusão que ela tem o transtorno. Apenas especialistas podem fazer o diagnóstico com base em um Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais (DSM).

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Em entrevista ao site do Dr. Drauzio Varella, o neuropediatra, Dr. Marcelo Gomes, explicou que, durante o diagnóstico, o paciente responde a um questionário e só é considerado o TDAH quando ele se encaixa em seis ou mais situações de desatenção ou sintomas de hiperatividade descritos.

Uso da Ritalina na infância e suas controvérsias

Mesmo em caso de crianças diagnosticadas por um psiquiatra ainda há controvérsias em relação ao uso da Ritalina. Há especialistas que questionam os efeitos a longo prazo desse medicamento, se baseando no fato de que, como se trata de um psicoestimulante, ele pode gerar vício. Em entrevista ao site do Dr. Drauzio Varella, a psicóloga Roseli Caldas, da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional (Abrapee), afirmou que a estimulação artificial da Ritalina dessensibiliza a procura por prazeres na vida cotidiana, o que leva a uma busca contínua pelo prazer produzido pela droga.

Há pesquisas, inclusive, que associam o uso da Ritalina na infância à dependência de drogas e perda de memória. Outras denunciam o efeito de apatia ou letargia gerado pelo medicamento. É daí, inclusive, que surgem apelidos como “droga da obediência” ou do “efeito zumbi”. Por outro lado, há diversas pesquisas que mostram excelentes resultados em crianças que sofriam de ansiedade e que não tinham bom desempenho na escola e que, ao usar o medicamento, experimentaram melhoria na qualidade de vida e no aprendizado.

Onde a escola entra?

Como já comentamos no início desse artigo, a escola é um ambiente propício para as primeiras percepções do TDAH na criança. É na sala de aula que ela será convidada a ter atenção e a experimentar momentos de quietude e concentração. Também é na escola que ela demonstrará o que aprendeu. Todos esses momentos são importantíssimos para a coleta de informações sobre o comportamento da criança.

É por isso que é tão importante ter educadores com o olhar sensível para os sintomas do TADH, mas, ao mesmo tempo, bem informados para que não caiam no erro de “diagnosticar” precocemente os alunos. É importante que o professor avalie a si mesmo e perceba se a desatenção dos alunos não tem relação com a falta de estímulos em sua aula. O educador deve se preocupar em trazer conteúdos interessantes e diferentes formatos, que vão chamar a atenção das crianças. Veja também 8 atividades para alunos com dificuldade de concentração.

E se, de fato, a escola tiver casos de crianças com TDAH em sala de aula é essencial que ela esteja preparada para atendê-los dentro da sua necessidade. Nesse caso, é importante que haja uma conversa com a família e um levantamento sobre as recomendações médicas. Além disso, a escola pode fazer adaptações nas avaliações, assim como no método de ensino.

Outras dicas para o educador são trazer diferentes técnicas e metodologias, o que deve estimular a curiosidade e, automaticamente, a atenção das crianças; construir regras de convivência junto com os alunos para que eles se sintam parte do processo de organização e reforcem esse aprendizado e, ainda, encorajar os alunos que aprendem mais rápido a auxiliarem os colegas que ainda estão aprendendo.

O mais importante, entretanto, é que o educador esteja atento à criança com TDAH e, sabendo de suas limitações, a auxilie a se manter engajada com as tarefas e aprendizados.

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