A tecnologia no processo de aprendizagem de crianças autistas e com deficiência intelectual

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A tecnologia é uma grande aliada na educação infantil. Os vídeos, aplicativos e jogos deixam o aprendizado mais divertido e despertam o interesse dos alunos.

Mas quando o assunto é educação de crianças autistas ou com algum tipo de deficiência intelectual ou transtorno de aprendizagem, a tecnologia ganha uma importância ainda maior, pois ela amplia as possibilidades dos professores em sala de aula.

Autismo X Deficiência intelectual

Autismo, entre outras coisas, está associado principalmente a dificuldade de comunicação e interação social.

Enquanto as deficiências intelectuais, segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, são “déficits em capacidades mentais genéricas, como raciocínio, solução de problemas, planejamento, pensamento abstrato, juízo, aprendizagem acadêmica e aprendizagem pela experiência”.

Uma pessoa autista pode ser, também, deficiente intelectual, mas não são as mesmas coisas. Existem autistas que não são deficientes intelectuais e vice-versa.

O próprio autismo é muito mais complexo do que muita gente faz ideia por não se tratar de um único tipo. Seu nome técnico é Transtorno do Espectro Autista (TEA) e inclui uma série de condições de comportamento e nível intelectual, que podem ser muito diferentes de uma criança para outra.

Só para se ter ideia, as crianças autistas podem ter uma deterioração profunda do seu nível intelectual e outra ter altas habilidades cognitivas.

Legislação

É importante lembrar que o acesso à educação em escola regular é um direito dessas crianças e, por isso, as instituições de ensino precisam estar preparadas para atendê-las em suas necessidades. Vale ressaltar, também, que esse atendimento não pode ser de forma segregadora, como o desenvolvimento de um ensino à parte para essas crianças.

Nesse sentido, essas crianças assistem às aulas dentro da sala e, quando necessário, podem contar com o apoio de um acompanhante especialista e ter atendimentos para atividades específicas dentro ou fora da sala.

A legislação (Lei nº 12.764) que as incluiu na escola regular quer justamente impedir essa separação e dar a elas uma infância digna. Nesse sentido, a tecnologia pode ser uma poderosa ferramenta para atingir essas crianças em suas diferentes demandas. Saiba também como aplicar a acessibilidade na escola e qual a importância disso.

Sua escola está preparada para a inclusão?

Há muitas especificidades quando o assunto são as deficiências intelectuais, autismo e os transtornos de aprendizagem. Existe uma grande variedade deles, que vão de sintomas mais simples e quase imperceptíveis até um transtorno mais grave em que até a comunicação do aluno é comprometida.

É claro que os professores não são especialistas em todos os tipos de deficiências ou transtornos, mas é importante que eles estejam preparados para acolher crianças com qualquer um deles.

Nesse caso é recomendado que o educador converse com a família, peça para ser informado sobre as orientações dos médicos especialistas e, claro, busque informações e alternativas para que o seu trabalho seja mais eficaz.

Da mesma forma a escola precisa ser um ponto de apoio para a família das crianças autistas ou com outros tipos de transtornos e deficiências intelectuais.

É importante que a instituição informe aos pais sobre o desempenho da criança e reporte informações que possam ser valiosas nos tratamentos das crianças. A escola também precisa garantir um ambiente acolhedor para essa criança, por meio da conscientização dos demais alunos e familiares.

Se você quer saber mais sobre como preparar sua instituição para a diversidade e a inclusão, veja aqui 4 pontos importantes sobre a inclusão escolar na educação infantil.

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Como a tecnologia pode ajudar na educação de crianças autistas?

A comunicação pode ser uma dificuldade em vários tipos de transtornos de aprendizagem ou deficiências intelectuais. Nesse sentido, nada melhor do que usar os estímulos visuais e sonoros em tablets ou celulares para comunicar algum ensinamento. A tecnologia, nesse caso, vai funcionar como uma tradutora ou, ainda, uma ponte para o aprendizado.

Os jogos ou recursos que têm comando de voz podem ajudar crianças autistas a iniciarem algum tipo de interação. Mesmo que, a princípio essa interação seja com uma máquina e não um humano, ela dará passos em seu desenvolvimento e, de certa forma, “existindo” em alguma esfera que não seja a do seu próprio mundo.

Há, ainda, softwares de ensino bem direcionados que mostram às crianças como fazer questões básicas como higiene pessoal ou como se alimentar corretamente. Há soluções que ajudam os professores com demandas específicas também como o processo de alfabetização. De forma geral, a tecnologia pode abrir portas para o desenvolvimento de crianças com alguma dificuldade de aprender ou de interagir.

Exemplos reais

É claro que encontrar a tecnologia certa para estimular o aprendizado em cada criança com suas diferentes demandas vai depender de pesquisas do professor e da instituição de ensino.

Mas, no Brasil há exemplos de usos bem-sucedidos da tecnologia para ensino de crianças com deficiências intelectuais e transtornos de aprendizagem e que podem ajudar nessa busca. Neste artigo vamos apresentar alguns deles.

Projeto Participar

Criada pelo Departamento de Ciência da Computação da Universidade de Brasília, o Projeto Participar disponibiliza gratuitamente uma série de softwares que auxiliam a aprendizagem de crianças autistas e com deficiência intelectual.

Para crianças que estão no espectro autista, o projeto oferece, hoje, cinco softwares diferentes, que ajudam os alunos a trabalhar suas habilidades de relacionamento, comunicação e expressão.

O software “Perceber” oferece atividades pedagógicas que auxiliam no desenvolvimento da percepção visual. Já o “Expressar” traz um conteúdo sobre expressões faciais. Os softwares “Ambientar” e “Ambientar Cidade”, por sua vez, ajudam o aluno em suas atividades de rotina no espaço doméstico e na cidade, respectivamente.

Há, ainda, o “Aproximar”, que trabalha os gestos sociais. Por meio de um sensor de movimento Kinect for Windows, a solução detecta os movimentos do estudante e aciona vídeos de reforço positivo para os acertos que o estudante tiver. De acordo com o site do projeto, o objetivo é “aproximar as pessoas do estudante nos diversos locais que ele frequenta e promover uma possível ampliação da convivência social”.

Para os alunos com deficiências intelectuais, o projeto oferece, hoje, oito softwares diferentes. Entre eles está o “Atividades de Vida”, que é voltado para o desenvolvimento de ações funcionais relacionadas ao autocuidado; o “Organizar”, que ensina sobre gerenciamento do tempo e sobre as estações climáticas e o “Comunicação Funcional”, que é um aplicativo de apoio à interlocução social para alunos com deficiência intelectual não alfabetizados.

Prancha de comunicação

Na Universidade Regional de Blumenau (FURB) foram realizadas pesquisas sobre o ensino de crianças autistas e com deficiência intelectual com a utilização de uma prancha de comunicação alternativa e aumentativa com tecnologia de realidade aumentada.

A comunicação com a criança se dá a partir do PECS, que é um sistema de comunicação por troca de imagens. Sobre a prancha ficam fichas com diferentes figuras, que permitem a criança fazer uma associação entre o que deseja – pedir água, por exemplo – e os símbolos. O grande diferencial do projeto da FURB é a criação de um aplicativo que torna esse processo de apontar para os símbolos mais atrativo.

Funciona assim: a criança aponta a câmera do celular para as imagens na prancha e, assim que o aparelho reconhece o símbolo, ele exibe animações e sons referentes ao significado daquela figura. O aplicativo se chama HP Reval e pode ser baixado gratuitamente na AppStore e na PlayStore.

Teclado acessível

Em Belo Horizonte, a Startup Geraes Tecnologia Assistiva desenvolveu uma solução que dá acesso à educação a pessoas com deficiências. O nome da tecnologia é TiX e se trata de um teclado acessível a estudantes com diferentes tipos de deficiências ou limitações motoras. A solução substitui o teclado e o mouse do computador com nove teclas combinadas e que são orientadas por símbolos e cores.

Além do teclado, a empresa oferece o TIX Letramento, plataforma educacional que auxilia estudantes com deficiência no processo de aprendizagem, desde a simples comunicação com o outro, passando pela alfabetização, letramento até o letramento matemático.

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