Zona de Desenvolvimento Proximal: entenda como este conceito pode ajudar professores da Educação Infantil

Durante a década de 20, o psicólogo bielorrusso Lev Vygotsky (1896-1924) criou a concepção de Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP), que influencia consideravelmente o trabalho docente até os dias de hoje. Vygotsky é considerado um dos principais estudiosos do campo do desenvolvimento cognitivo do indivíduo e sua abordagem foi chamada de socioconstrutivista porque para ele em todo processo de interação entre indivíduos existe aprendizagem.

Basicamente, a ZDP é a distância existente entre o que a criança consegue fazer de forma independente e o que ela consegue realizar de forma assistida ou com o auxílio do professor, pais ou outra criança em um nível de desenvolvimento mais avançado.

Para que o professor possa identificar a Zona de Desenvolvimento Proximal de seus alunos é preciso que ele conheça também os conceitos de desenvolvimento real, que é aquele já consolidado pela criança, e desenvolvimento potencial, que diz respeito ao que a criança consegue realizar de forma assistida. A ZDP é o intervalo entre esses dois níveis de desenvolvimento.

Aplicação prática da teoria em sala de aula

O desenvolvimento proximal ou possível de uma criança é aquele que ela desenvolve encontrando-se em um ambiente de ensino com condições e contexto favoráveis ao seu aprendizado. Para criar esse ambiente, é essencial que o professor estimule a interação entre alunos. Se uma criança consegue desenvolver uma tarefa mais complexa com a ajuda de alguém, naturalmente para ela será mais fácil entender a linguagem de um colega mais experiente do que a de um adulto. Por isso a troca de conhecimento entre alunos é interessante e deve ser encorajada.

Um exemplo prático no qual podemos observar essa troca é quando há a escolha de “ajudantes” nas atividades em sala de aula. De acordo com as habilidades que estão sendo trabalhadas, o professor pode formar duplas unindo um aluno mais desenvolvido a outro que apresenta dificuldades, para que um auxilie o outro no cumprimento da tarefa. Dessa forma, aquele que já aprendeu aperfeiçoa suas habilidades e aquele que está com dificuldades sente-se desafiado a superar suas limitações.

De acordo com a teoria da Zona de Desenvolvimento Proximal, para implementar esse tipo de prática é preciso que o professor observe os saberes que a criança domina e aqueles que ainda está desenvolvendo. Não quer dizer que porque um aluno foi o “ajudante” em uma atividade ele o será em todas. Diferentes saberes desenvolvem-se de formas distintas e um aluno que apresenta dificuldade na execução de uma tarefa pode não apresentar em outras. Cabe ao educador observar as dificuldades e progressos de cada aluno para então avaliar a melhor estratégia pedagógica a ser adotada dentro de sala.

O estímulo do professor ao desenvolvimento do aluno

Uma das principais dificuldades encontradas por professores é ter que lidar com tantas particularidades em um mesmo ambiente de ensino: cada criança possui um ritmo de desenvolvimento distinto que deve ser compreendido e respeitado.

Para que a adoção de uma estratégia socioconstrutivista dê certo é preciso que o educador compreenda que seu papel não é de detentor do conhecimento, mas sim de mediador da aprendizagem. Compete a ele a importante tarefa de avaliar o desenvolvimento individual dos alunos, fazendo a diferenciação entre o que cada um já domina e o que ainda está aprendendo. Essa avaliação não deve se basear no que eles conseguem fazer sozinhos, mas sim no que conseguem fazer colaborando com outros colegas e recebendo ajuda dos mesmos.

Além disso, cabe ao professor também detectar aquilo que ainda é impossível aos alunos. Há atividades que, mesmo com auxílio, são inviáveis para a criança, por exigir conhecimentos e saberes ainda não adquiridos. Um aluno em fase de alfabetização, por exemplo, não conseguirá ler e interpretar enunciados sozinho, mas provavelmente formará sílabas e reconhecerá pequenas palavras com a ajuda de outra pessoa.

A avaliação do desenvolvimento proximal

Para avaliar o desenvolvimento proximal do aluno, Vygotsky sugere que o professor adote um modelo de avaliação dinâmico. Atualmente a maior parte dos educadores testa a aprendizagem de seus alunos por meio de avaliações estáticas, nas quais só interessa ao avaliador aquilo que a criança responde corretamente ou se se comporta da maneira considerada correta frente a alguma situação.

Em um modelo de avaliação dinâmico interessa ao professor especialmente as respostas erradas. Ao contrário da avaliação estática, em que ao responder incorretamente o avaliador apenas passa para a próxima questão, nesse tipo de teste, ao perceber o erro do aluno o professor lhe dá sugestões dirigidas, por meio das quais a criança poderá resolver o problema.

O professor pode também mudar o cenário de uma situação com a qual a criança já está habituada, impondo-lhe obstáculos, para avaliar se ainda assim, em circunstâncias diferentes, ela conseguirá resolver a questão. Desta forma será possível testar o nível de criatividade do aluno na resolução de problemas.

Compreensão da Zona de Desenvolvimento Proximal

A zona de desenvolvimento proximal vai indicar ao professor as habilidades que estão próximas de serem alcançadas pelo aluno e sua capacidade de resolver não só os problemas determinados, mas outros problemas semelhantes.

Compreender essa teoria é essencial para profissionais que atuam na Educação Infantil, pois por meio dela o professor se tornará mais sensível aos estímulos que deve oferecer à turma e poderá escolher com mais clareza as técnicas pedagógicas adequadas que incentivem o potencial de aprendizagem de cada aluno. Atuando dessa forma a sala de aula deverá tornar-se um ambiente no qual os alunos sejam participativos, colaborativos e sintam-se desafiados a superar suas dificuldades.

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